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março 18, 2010

As novas tecnologias estão decretando o fim do formato tradicional de produzir e veicular notícias. A novidade agora é montar jogos atrativos para divulgá-las. O novo jeito de fazer jornalismo, conhecido como Newsgames, mistura entretenimento, informação e criatividade na hora de informar.

“Os games tem papel importante no processo de transformação do ato de noticiar. Os jogos sociais de sites de relacionamentos, por exemplo, turbinam o ato de informar num ambiente voltado quase que exclusivamente ao entretenimento. Essa estratégia deveria ser mais usada pelos sites de notícia, já que em ambientes lúdicos de comunicação poderíamos informar o que interessa a jovens ciber-imersos e socialmente inseridos”, avalia Geraldo Augusto Seabra, jornalista, mestre em Comunicação, Estudos Midiáticos e Tecnologia e autor da Teoria dos Newsgames.

A notícia em forma de game (tradução do termo aqui no Brasil) surgiu por volta de 2003 no exterior e uma das primeiras publicações nesse formato saiu no El País, com o Play Madrid, lançado em 2004. No mesmo ano, para falar sobre a falta de fiscalização na importação de alimentos nos Estados Unidos o The New York Times também lançou mão dos newsgames com o jogo Food Import Folly.

Inseridos no universo da internet banda larga, com uso de agregadores de conteúdo baseados na tecnologia RSS, os jogos atraem usuários dispostos a se informar e ao mesmo tempo se divertir. Aqui no Brasil, a Superinteressante estreou nos newsgames quando publicou uma matéria de capa sobre máfia. A revista pretendia criar um conteúdo a mais, um extrainterativo sobre o tema e, para isso, aderiu ao Jogo da Máfia. O game foi montado a partir de informações apuradas pela equipe de reportagem e do conteúdo interativo didático elaborado para facilitar a compreensão do leitor. Quem joga, aprende como esse tipo de organização funciona e ainda se diverte com o passatempo virtual. “Conheci os newsgames a pouco mais de um ano. Sou adepto fervoroso e acho que é uma grande sacada para atrair o público jovem”, diz André Pereira.

Para Yuri Almeida, especialista em Jornalismo Contemporâneo e pesquisador do Jornalismo Colaborativo, apesar de alguns autores conceituarem a relação games e notícia como uma nova forma de se fazer jornalismo, atrair uma parcela da audiência, principalmente a do público jovem, e potencializar a interatividade junto aos leitores dos jornais é o foco central das experiências jornalísticas. “O que define jornalismo não é seu formato (rádio, TV, internet, papel), mas o conteúdo e as rotinas de produção. Utilizar a linguagem e o suporte de um game significa utilizar um novo meio para difundir informação a leitores que já nasceram apertando botões, interagindo com máquinas e ‘borrando’ cada vez mais

a fronteira entre o físico e o virtual. Para este público, o formato: manchete, lead e foto não é nada atraente”, explica Yuri.
Alguns jogos digitais feitos a partir de conteúdos jornalísticos já podem ser conferidos em plataformas on-line brasileiras, como: Superinteressante, Estado de Minas e Estadão. E, pelo andar da carruagem, a tendência é que surjam novos jogos nesse universo do novo jornalismo.

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Do velho ao novo Jornalismo

março 4, 2010

Cíntia Melo

O Jornalismo convencional está com os dias contados. Mesmo tímidas e enfrentando impedimentos diversos, as mudanças nas mídias contemporâneas começam a acontecer estreitando a fronteira entre o antigo jeito de se fazer jornalismo e o novo modelo multimidiático. Nessa nova roupagem, o jornalismo produz informação utilizando vídeo, áudio, texto, imagens e ainda permite a interatividade. O grande desafio de profissionais, estudantes e das escolas de comunicação agora é conseguir se adaptar e acompanhar essas tecnologias.

A fala de Daniela Bertocchi, professora do curso de Jornalismo on-line das Faculdades de Campinas (Facamp), não bate com o posicionamento de Andre Deak, jornalista de mídias digitais há mais de uma década. Para ele, “os estudantes ainda não estão se preparando adequadamente”. Mas, ele não é cético. “Há salvação. Uns poucos já perceberam o quanto a boa preparação pode ser legal. Antigamente, o número de alunos conscientes era menor. Amanhã será maior”, atesta.

Quanto aos jornalistas formados há tempos atrás e que continuam atuando no mercado de trabalho, o problema maior que enfrentam é o da resistência. “Não consigo me acostumar a esse novo modelo de se fazer jornalismo. Só uso o Word e mesmo assim digito como se estivesse datilografando”, diz Hiram Firmino, 60 anos, jornalista e editor das revistas JB Ecológico e Ecológico.

Também reagindo contra, só que por outros motivos, estão os donos das empresas de comunicação. “Os gestores dos jornais brasileiros dizem que o maior obstáculo às novas mídias está no orçamento, mas acho que isso é mentira. Na verdade, é possível fazer  uso das multimídias sem o aumento de custos. O problema é que a ficha deles para essa modernização ainda não caiu. No Brasil, parece que estão esperando que o fim dos impressos esteja mais próximo para começarem a se mexer”, avalia Andre.

Outra, que assim como o jornalista digital, também utiliza e aprova as novas mídias na criação de informação é Mirna Tornus, jornalista e professora do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). “A multimídia é mais democrática e permite que pessoas com diferentes preferências de consumo midiático sejam contempladas. Sem contar que o profissional, ao contar uma história, pode fazê-lo explorando diversos recursos e ângulos, dando lugar a uma narrativa mais interessante, embora mais complexa”, comenta.

Mirna aprofunda e amplia a discussão, convidando-nos à reflexão quando diz que acredita que, essencialmente, o modo de se fazer jornalismo independe do meio ou da tecnologia empregados. “O imprescindível, no impresso ou na Web, é que a apuração seja feita com ética, ouvindo todos os lados envolvidos. E que a redação e o roteiro sejam bem elaborados”.

Hello world!

março 4, 2010

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