As novas tecnologias estão decretando o fim do formato tradicional de produzir e veicular notícias. A novidade agora é montar jogos atrativos para divulgá-las. O novo jeito de fazer jornalismo, conhecido como Newsgames, mistura entretenimento, informação e criatividade na hora de informar.

“Os games tem papel importante no processo de transformação do ato de noticiar. Os jogos sociais de sites de relacionamentos, por exemplo, turbinam o ato de informar num ambiente voltado quase que exclusivamente ao entretenimento. Essa estratégia deveria ser mais usada pelos sites de notícia, já que em ambientes lúdicos de comunicação poderíamos informar o que interessa a jovens ciber-imersos e socialmente inseridos”, avalia Geraldo Augusto Seabra, jornalista, mestre em Comunicação, Estudos Midiáticos e Tecnologia e autor da Teoria dos Newsgames.

A notícia em forma de game (tradução do termo aqui no Brasil) surgiu por volta de 2003 no exterior e uma das primeiras publicações nesse formato saiu no El País, com o Play Madrid, lançado em 2004. No mesmo ano, para falar sobre a falta de fiscalização na importação de alimentos nos Estados Unidos o The New York Times também lançou mão dos newsgames com o jogo Food Import Folly.

Inseridos no universo da internet banda larga, com uso de agregadores de conteúdo baseados na tecnologia RSS, os jogos atraem usuários dispostos a se informar e ao mesmo tempo se divertir. Aqui no Brasil, a Superinteressante estreou nos newsgames quando publicou uma matéria de capa sobre máfia. A revista pretendia criar um conteúdo a mais, um extrainterativo sobre o tema e, para isso, aderiu ao Jogo da Máfia. O game foi montado a partir de informações apuradas pela equipe de reportagem e do conteúdo interativo didático elaborado para facilitar a compreensão do leitor. Quem joga, aprende como esse tipo de organização funciona e ainda se diverte com o passatempo virtual. “Conheci os newsgames a pouco mais de um ano. Sou adepto fervoroso e acho que é uma grande sacada para atrair o público jovem”, diz André Pereira.

Para Yuri Almeida, especialista em Jornalismo Contemporâneo e pesquisador do Jornalismo Colaborativo, apesar de alguns autores conceituarem a relação games e notícia como uma nova forma de se fazer jornalismo, atrair uma parcela da audiência, principalmente a do público jovem, e potencializar a interatividade junto aos leitores dos jornais é o foco central das experiências jornalísticas. “O que define jornalismo não é seu formato (rádio, TV, internet, papel), mas o conteúdo e as rotinas de produção. Utilizar a linguagem e o suporte de um game significa utilizar um novo meio para difundir informação a leitores que já nasceram apertando botões, interagindo com máquinas e ‘borrando’ cada vez mais

a fronteira entre o físico e o virtual. Para este público, o formato: manchete, lead e foto não é nada atraente”, explica Yuri.
Alguns jogos digitais feitos a partir de conteúdos jornalísticos já podem ser conferidos em plataformas on-line brasileiras, como: Superinteressante, Estado de Minas e Estadão. E, pelo andar da carruagem, a tendência é que surjam novos jogos nesse universo do novo jornalismo.

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