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De cara nova

abril 29, 2010

No mundo da estética, quando o assunto é beleza há jeito para tudo. Não há gordura, por exemplo, que resista a uma boa lipoaspiração, nem aplicação de botox que não seja capaz de despistar uma e outra marca de expressão. Se a vontade é de turbinar os seios, basta que se diga quanto de silicone se deseja e pronto. É fácil mudar por fora hoje em dia. Já por dentro…
O estadão colocou no ar no último mês de março, o resultado da reforma gráfica de seu site. A diferença não se deu somente no Estadão.com.br, mas se estendeu também a seu formato impresso. Os responsáveis pelas mudanças informam que as transformações refletem o novo conceito do veículo quanto à produção, edição de notícias e integração da equipe de redação, que terá que se aprofundar mais nas apurações das versões impressa e online. Na internet o veículo espera grandes furos de reportagem, já que no o “tempo” da notícia no espaço virtual é de segundo a segundo, de minuto a minuto.
Mas, será que as mudanças gráficas do Estadão atenderam às expectativas de quem as criou? Ou será que as alterações foram só estético-visuais, aparentes? Na avaliação do jornalista e professor do Centro Universitário Una, Jorge Rocha, a reforma online deixou a desejar. “A pedagogia proposta da leitura de notícias de forma mais pedagógica e as ferramentas de interatividade do site ficaram comprometidas. A revolução gráfica preconizada não aconteceu. As promessas de um veículo virtual mais inteligente na veiculação de informações, sem links interrompendo o leitor, por exemplo, se perderam. Acrescente-se a isso o fluxo de notícias redundantes”, conclui.
A estudante de administração Ana Paula Borges, usuária do Estadão.com.br, fiel ao formato online do Jornal, indaga se o veículo considerou a participação e a opinião prévia de seus leitores-interlocutores quando pensou o projeto da reforma gráfica. “Se somos o público-alvo, por que não temos voz? À primeira vista, o site está bonito, mas a navegação está muito confusa. Vai levar tempo para me acostumar”, desabafa.
Na nova fase, o Estadão aposta também nas editorias no formato de comunidades divididas por interesses como economia, política, futebol, tecnologia, etc. uma equipe de moderação foi criada para reforçá-las e para conter trolls. Ao todo, são 700 jornalistas trabalhando em diversas capitais do Brasil e do mundo. A ideia é conquistar leitores e expandir a interação. Sem mudar de corpo e alma parece difícil esse alcance.

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Atropelos digitais

abril 29, 2010

Depois das evidências de que as estratégias de uso das redes sociais favoreceram a vitória do candidato a presidência dos Estados Unidos, Barack Obama em 2008, os políticos brasileiros se animaram. E a moda de utilizar o twitter para se promover pegou aqui em terra brasilis. Registros dão conta que mais da metade de nossos deputados federais têm perfil ativo no site de troca de mensagens.

Como 2010 é ano de eleição presidencial, os marqueteiros de campanha já estão preocupados com os impactos da internet. Por isso, andam especulando sobre qual a melhor estratégia para emplacar seus candidatos.
E não estão perdendo tempo. Já começaram a fazer uso das ferramentas virtuais para as eleições de outubro.

O poder das redes sociais é indiscutível. Agora, no caso dos políticos, saber como utilizar a seu favor essa alternativa para angariar votos é que são elas. Desde que entraram em cena no mundo virtual sobram erros ortográficos, gramaticais e muitos “micos”. Parece que eles vão com muita sede ao pote e se esquecem de conferir com seus assessores se o que estão teclando fala a favor ou contra a pessoa deles.

Vale a pena se preparar melhor para a utilização da tecnologia virtual, já que na internet a comunicação é instantânea e numa velocidade alucinante milhares de usuários ficam por dentro de todas as gafes que são cometidas. Outra falha dos políticos ao utilizar o twitter é que suas mensagens são limitadas. Eles ignoram, por exemplo, indagações mais aprofundadas de seus seguidores.

O Instituto Análise, criado pelo cientista político Alberto de Almeida, desenvolveu um departamento que controla os twitters dos políticos. Ao todo, duas dezenas de clientes, a maioria do PSDB, estão seguindo o exemplo de Barack Obama que deixou a cargo de uma empresa, a Blue State Digital, as atualizações de seu twitter, assim como a orientação e a responsabilidade da estratégia de sua campanha nas redes sociais.

As presidenciáveis Marina Silva (PV) e Dilma Roussef (PT) já contrataram consultores para coordenarem suas campanhas digitais. O candidato a presidência do Brasil José Serra, este preferiu embarcar no twitter por conta própria. E já está “treinando” há algum tempo. Lembram do desabamento do túnel que matou sete pessoas em São Paulo em 2007? Pois é. Vejam a mensagem dele no twitter na ocasião sobre o caso: “Antes que me soterrem de perguntas sobre o metrô… rs Tudo sobre o Programa Expansão, que vai quadruplicar a rede”.
Já Ciro Gomes saiu com essa no início do ano: “Visitei ontem 3 cidades do MA candidatíssimo a presidente!”
Melhor que os presidenciáveis fiquem de olho no que escrevem e na Justiça Eleitoral brasileira, que diz que as campanhas para as eleições de outubro só podem começar a partir do dia 5 de julho. Isso vale também para as digitais. Antes disso, a utilização da internet se restringe a divulgação de ideias e a promoção de debates.