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Do velho ao novo Jornalismo

março 4, 2010

Cíntia Melo

O Jornalismo convencional está com os dias contados. Mesmo tímidas e enfrentando impedimentos diversos, as mudanças nas mídias contemporâneas começam a acontecer estreitando a fronteira entre o antigo jeito de se fazer jornalismo e o novo modelo multimidiático. Nessa nova roupagem, o jornalismo produz informação utilizando vídeo, áudio, texto, imagens e ainda permite a interatividade. O grande desafio de profissionais, estudantes e das escolas de comunicação agora é conseguir se adaptar e acompanhar essas tecnologias.

A fala de Daniela Bertocchi, professora do curso de Jornalismo on-line das Faculdades de Campinas (Facamp), não bate com o posicionamento de Andre Deak, jornalista de mídias digitais há mais de uma década. Para ele, “os estudantes ainda não estão se preparando adequadamente”. Mas, ele não é cético. “Há salvação. Uns poucos já perceberam o quanto a boa preparação pode ser legal. Antigamente, o número de alunos conscientes era menor. Amanhã será maior”, atesta.

Quanto aos jornalistas formados há tempos atrás e que continuam atuando no mercado de trabalho, o problema maior que enfrentam é o da resistência. “Não consigo me acostumar a esse novo modelo de se fazer jornalismo. Só uso o Word e mesmo assim digito como se estivesse datilografando”, diz Hiram Firmino, 60 anos, jornalista e editor das revistas JB Ecológico e Ecológico.

Também reagindo contra, só que por outros motivos, estão os donos das empresas de comunicação. “Os gestores dos jornais brasileiros dizem que o maior obstáculo às novas mídias está no orçamento, mas acho que isso é mentira. Na verdade, é possível fazer  uso das multimídias sem o aumento de custos. O problema é que a ficha deles para essa modernização ainda não caiu. No Brasil, parece que estão esperando que o fim dos impressos esteja mais próximo para começarem a se mexer”, avalia Andre.

Outra, que assim como o jornalista digital, também utiliza e aprova as novas mídias na criação de informação é Mirna Tornus, jornalista e professora do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). “A multimídia é mais democrática e permite que pessoas com diferentes preferências de consumo midiático sejam contempladas. Sem contar que o profissional, ao contar uma história, pode fazê-lo explorando diversos recursos e ângulos, dando lugar a uma narrativa mais interessante, embora mais complexa”, comenta.

Mirna aprofunda e amplia a discussão, convidando-nos à reflexão quando diz que acredita que, essencialmente, o modo de se fazer jornalismo independe do meio ou da tecnologia empregados. “O imprescindível, no impresso ou na Web, é que a apuração seja feita com ética, ouvindo todos os lados envolvidos. E que a redação e o roteiro sejam bem elaborados”.